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quinta-feira, 8 de maio de 2008

Introdução à história da televisão digital

Os esforços estavam direcionados para a pesquisa de uma solução tecnológica capaz de dar ao telespectador as sensações mais próximas possíveis, tanto em imagem quanto em som, daquelas experimentadas por um espectador no cinema. Isso exigia não só maior nitidez da imagem e estabilidade na transmissão, mas também uma tela com dimensões proporcionais à das salas de projeção.

Ao constatarem que não era tão fácil dobrar o número de linhas do receptor (de 525 ou 625 para 1000 ou 1200 linhas), os técnicos japoneses entenderam que seria ainda mais difícil melhorar a qualidade da transmissão a partir da plataforma analógica. Não existia tecnologia capaz de realizar a compressão necessária para a transmissão de informações no volume exigido pela alta definição a partir de um canal tradicional de 6 MHz. No entanto, com o advento das tecnologias digitais, aumentaram as probabilidades de se atingir esta meta.


quarta-feira, 7 de maio de 2008

TV Digital/Padrão Europeu (DVB)


Na década de oitenta, na Europa, os pesquisadores patrocinados pela comunidade européia, fixaram-se também no desenvolvimento de um padrão único, que foi chamado originalmente de memorando. Em 1996, já com o projeto eureka, os europeus chegaram a uma alternativa similar a japonesa, batizada de MAC (multiplexed analog components).

Para alta definição foi criada a versão do HD-MAC, cuja principal diferença era operar com um maior número de pixels. Os europeus lançaram o embrião do que seria um caminho próprio na procura pela TV de melhor qualidade visual, a DVB.

A DVB (Digital Video Broadcasting): adotado comercialmente em 1998, pelo Reino Unido, o padrão também foi abraçado por Índia, Austrália e Nova Zelândia. O consórcio responsável pela sua definição reúne mais de 270 empresas. Possui padrões para transmissão terrestre (DVB-T), por cabo (DVB-C) e satélite (DVB-S). É conhecido por ser mais versátil, facilitando a transmissão de múltiplos canais virtuais na mesma freqüência. Opera na freqüência de 8 MHz, fator que o deixa em desvantagem em relação ao japonês e ao americano, que operam em 6 MHz, mesmo espectro usado no Brasil para a TV aberta.

Ficou com os europeus o mérito de desenvolver a tecnologia que comprimia os dados de uma forma satisfatória para a transmissão segura de vídeo de alta definição.

Em paralelo aos avanços que obtinha com o formato MPEG, a Europa preocupava-se em fixar um padrão único para a radiodifusão digital.

Para o desenvolvimento do padrão Europeu, foi definido que, uma das maiores prioridades seria a recepção do sinal com antenas internas, que no padrão Americano é de péssima qualidade. A solução encontrada foi a substituição da modulação 8-VSB pela modulação COFDM, que possuía uma maior robustez.

Na Europa as escolhas feitas privilegiaram a multi-programação, através da transmissão de múltiplos canais SDTV a fim de comportar a demanda reprimida por mais emissoras. Além disto outro fator importante na escolha da multi-programação é a aparente falta de receptividade do mercado europeu aos aparelhos de tela grande.

Além dos países europeus, este padrão foi adotado pela Austrália e por Singapura.

O sistema de transmissão digital usa a codificação MPEG-2 digitalizar as imagens, o mesmo padrão de codificação usado pelo DVD. A diferença entre os sistemas de transmissão está na maneira com que as imagens são codificadas para a transmissão, o formato de vídeo antes da codificação, o formato de vídeo após a codificação e a maneira com que o áudio é codificado.

O padrão europeu,vem desenvolvendo a capacidade de transmissão,para aparelhos móveis com a variação do DVB-H (Digital Video Broadcasting – Handheld), caso este tivesse sido escolhido pelo Brasil, as empresas de telefonia celular poderiam ter interesses em subsidiar os custos dos aparelhos para poder oferecer mais serviços a apartir da tecnologia de TV digital, segundo análise de pesquisadores.

TV Digital/Padrão Americano (ATSC)


O padrão de TV Digital Norte-Americano, teve o seu desenvolvimento nas décadas de oitenta e noventa, através da continuidade e aperfeiçoamento das tecnologias já conhecidas na Europa, Japão e no próprio Estados Unidos.

Na década de noventa, especificamente em 1997, ficou-se estabelecido que o Padrão ATSC (Advanced Television Sistems Committee), seria definido como padrão norte-americano de televisão digital, sendo este composto por codificação de áudio e vídeo, multiplexação de sinais, modulação para transmissão e demodulação de áudio e vídeo para a recepção.

Este padrão foi desenvolvido com o intuito de suportar transmissões de HDTV(alta definição) , utilizando a modulação 8-VSB, ideal para recepção com antenas externas e em ambientes de pouco ruído impulsivo(por exemplo, a interferência gerada por um liquidificador).

A demanda por HDTV pela TV aberta é uma resposta à perda de fatia de mercado para os canais veiculados a cabo. Adotado pelos Estados Unidos, Canadá, Coréia do Sul e Taiwan. O ATSC já opera com mais de 500 emissoras e possui cerca de 4% do mercado norte-americano.

A possibilidade da adoção do padrão digital americano pelo Brasil, criou a possibilidade da impulsão da fabricação local de equipamentos e posteriores oportunidades de exportação para os Estados Unidos e demais países que optarem pela especificação como Canadá e México, tendo em vista que quase a totalidade dos televisores comercializados nos Estados Unidos são importados, o que abriria espaço para os países fabricantes de equipamentos compatíveis, despertando assim o interesse de empresas do setor em investir no Brasil.

Dos padrões apresentados a ATSC é o mais barato por natureza,de menor custo de implantação, com o objetivo de oferecer à população o conversor para a TV digital a menor custo, aumentando assim a acessibilidade ao público.

Entretanto, todas estas aparentes vantagens apresentadas pelo padrão digital americano, foram sobrepujadas pelos argumentos levantados através de um estudo minucioso durante o processo de escolha, no qual comparando os aspectos técnicos dos três padrões em questão (americano, Europeu e Japonês), levando-se em consideração a adequação às necessidades brasileiras, apontou-se o padrão ATSC americano, como sendo o menos adequado à condições nacionais.

Esta definição do padrão escolhido não se resume a uma questão de superioridade técnica. Aspectos econômicos e políticos, norteiam a decisão e para o governo brasileiro a negociação de contrapartidas a serem oferecidas pelos consórcios interessados, foram pontos vitais para a decisão final.

Dentre os principais empecilhos encontrados na adoção do padrão digital ATSC pelo Brasil, refere-se a deficiências para a transmissão para dispositivos móveis e portáteis, como celulares e receptores em veículos, problemas estes sanados pela melhor adaptação do padrão Japonês às condições ambientais brasileiras, e, sobretudo o fato de um dos principais atrativos a adoção do padrão ATSC (exportação em grande escala de aparelhos e equipamentos para Estados Unidos e outros países), ser minimizada após uma criteriosa análise, onde, conclui-se que um país como o Brasil, onde existe em uso aproximadamente 60 milhões de aparelhos de TV, não possuiria a escala necessária de produção, para baratear a tecnologia e para exportar em pé de igualdade com a Coréia do Sul, a qual também escolheu o padrão ATSC americano de televisão digital.